Em 2027, as mulheres que querem abrir ou ampliar negócios em diferentes setores das atividades econômicas poderão ter mais um ponto de apoio, em pautas na Câmara e no Senado, para investimentos e capacitação. Na próxima legislatura, deverá ser criada no Congresso Nacional uma frente parlamentar mista voltada à mulher empreendedora.
A proposta foi mencionada nesta terça-feira (20/10) pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF) durante a apresentação, em Brasília, da Rede Parlamentar Mista de Políticas Femininas, uma iniciativa do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).
Eleita para o Senado para a legislação de 2027 a 2034, Bia Kicis afirmou que a frente parlamentar contribuirá para buscar soluções para um dos principais obstáculos ao empreendedorismo feminino: o acesso ao crédito. “Precisamos olhar para todos os aspectos e contribuir para que a mulher possa de fato empreender. Com isso, teremos grande número de parlamentares focado nessa empreitada”, declarou ele, que disse que colocará o seu nome para presidir o colegiado.
Na avaliação de Ana Cláudia Badra Cotait, presidente do CMEC/CACB, a rede poderá contribuir com os trabalhos da frente parlamentar para fortalecer o diálogo e a articulação em favor das mulheres empreendedoras. “A proposta é fazer com que as demandas das mulheres cheguem ao Congresso Nacional e se transforme em medidas concretas. Iremos acompanhar projetos e construí apoios, cobrar resultados para quem empreende e movimenta a economia brasileira”, destacou.
Criada no dia 13 de outubro durante evento em São Paulo, a rede atuará com três prioridades: ampliação do acesso ao crédito, redução das barreiras para empreender e proteção do patrimônio conquistado pelas mulheres. “São medidas que fortalecem os negócios, geram empregos e contribuem para o desenvolvimento do Brasil”, ressaltou Ana Cláudia.

Ana Claudia Badra Cotait, presidente do CMEC nacional fala em apresentação da Rede de Políticas Femininas. Foto: Wenderson Araújo/Trilux
Em evento na sede da CACB, em Brasília, o CMEC entregou as propostas à governadora do Distrito Federa e candidata à reeleição, Celina Leão (PP-DF), que enfatizou a necessidade de investir em financiamento e capacitação para o empreendedorismo feminino. “Muitas mulheres têm um pequeno negócio, mas ainda não sabem como comercializar. Podem trabalhar em cooperativa de forma associada e vender esses produtos. É isso que a gente quer fazer, dar essa capacitação e oferecer financiamento”, afirmou.
O Distrito Federal terá três mulheres no Senado a partir de 2027, cenário inédito no país para uma unidade da Federação. As participantes do evento ressaltaram o momento como relevante para os avanços das políticas públicas voltadas ao público feminino.
“Eu creio que a nova bancada terá muitos desafios neste novo mundo e um olhar diferenciado para as políticas públicas e legislação. Precisará adequar as políticas voltadas ao empreendedorismo à realidade das mulheres”, opinou a senadora Damares Alves (Republicanos -DF).
A parlamentar cita como exemplo as mães atípicas e de filhos com deficiência que querem empreender e a preocupação das mulheres em perder os benefícios sociais com a obtenção de renda. “Como é que o Estado pode dar um incentivo para essa mulher para não ter medo de se arriscar e não ter medo de empreender”, reforçou. Para ela, a frente parlamentar terá um importante papel na assessoria técnica e integração de políticas.
O evento na CACB teve a participação de diversas lideranças políticas e do empreendedorismo feminino no Distrito Federal. Estiveram presentes a presidente do CMEC-DF, Beatriz Guimarães, a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Cris Britto, a secretária de Estado licenciada de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, Gisele Ferreira, a diretora de Administração do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, a superintendente do Sebrae/DF, Rose Rainha, a ex-secretária de Estado de Justiça e Cidadania do DF, Marcela Passamani, e senador e deputado federal eleito, Izalci Lucas (PL-DF).
Dados do Sebrae mostram que o país registra 10,4 milhões de negócios liderados por mulheres. Em 2025, empreendedoras responderam por 41,7% das novas micros e pequenas empresas abertas no Brasil.
Sobre a Rede de Políticas Femininas
A Rede Parlamentar Mista de Políticas Femininas tem como objetivo articular o avanço de projetos sobre crédito para empresárias, incentivo ao empreendedorismo feminino e combate à violência patrimonial. O grupo reúne congressistas e lideranças do comércio, da indústria e do agronegócio para acompanhar o trâmite de projetos no Congresso Nacional.
Projetos prioritários no Congresso
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