Uma reconfiguração na forma de votar está em discussão em algumas frentes no Brasil, ganhando força no campo político, especialmente na Câmara dos Deputados, e no setor produtivo, sob a liderança da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).
Conhecido como voto distrital misto, já adotado por países como Alemanha e Nova Zelândia, o modelo prevê um sistema de escolha de representes políticos com valorização de nomes regionais sem abandonar por completo a votação proporcional ao parlamento, que é a forma como se vota hoje no país.
Considerada como tema estratégico para a CACB, hoje o assunto foi tratado pelo líder do Sistema do Associativismo e presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, em reunião com o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski.
O encontro foi realizado na sede da CNM, em Brasília (DF), nesta quarta-feira (28/10), mesmo dia em que tema ganhou impulso no Câmara dos Deputados, após reunião de Hugo Motta (Republicanos-PB) com lideranças partidárias, em que afirmou que colocará o assunto em discussão para possível votação na Casa, ainda este ano.
Para Cotait, é importante unir esforços, estabelecer o diálogo e aprofundar discussões sobre o assunto. “Nosso objetivo é juntar esforços das duas entidades e manter parceria para defender projetos de interesse comum. O primeiro projeto que apresentamos é a questão do voto distrital misto. A partir de agora, nós vamos nos aprofundar nessa discussão para ver que pontos de convergência nós vamos ter para a evolução desse projeto”, explicou ao Diário do Comércio, após término da reunião. “Eu espero realmente que a gente possa ter grandes avanços daqui para frente”, disse Cotait.
O voto distrital misto combina representação regional e proporcional ao parlamento. Metade das vagas de cada estado é preenchida pelo voto em distritos, em que cada um deles elege o seu representante em uma disputa majoritária. A outra metade de cadeiras é definida pelo voto proporcional, de acordo com a votação nos partidos, que definem suas listas de candidatos.
Com isso, o eleitor, que votará em dois candidatos às casas parlamentares, passa a ter um representante diretamente ligado à sua região, sem eliminar a representação proporcional e a pluralidade de partidos e ideias no parlamento.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a reforma política no país é uma necessidade. “Acho que é necessária a reforma política e isso tem que sair. São muitos gastos com as eleições ocorrendo a cada dois anos e isso recai na sociedade que paga impostos. Assim como essa medida, a coincidência de mandato implica em benefícios e acho que a nossa parceria [com a CACB] pode abarcar essas e outras situações. A CNM está disposta a construir um grupo de trabalho para debater esse assunto”, afirmou Ziulkoski.
Durante o encontro, Cotait entregou a Ziulkoski um estudo com dados sobre o voto distrital misto. A reunião contou também com a participação de Gustavo de Lima Cezário, executivo e gerente de Relações Institucionais do Sebrae Nacional. Pela CACB, participaram, ainda, dois representantes da diretoria de Relações Governamentais, João Andrade (diretor) e João Faustino (assessor).
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